ULTRA BRUNO RIBEIRO

ULTRA BRUNO RIBEIRO

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

ULTRAMARATONA DE MONTANHA - X-RUN 60 K

 
Realizada no dia 08 de Dezembro de 2012, a Ultramaratona de Montanha, X-Run 60K foi realizada na bela cidade de Canela no estado do Rio Grande do Sul, e marcou o final de 2012, como uma das provas mais sofridas que já participei em toda minha vida.

Como já havia participado de uma ultramaratona de 56 km na África do Sul, achava que poderia realizar bem esta prova, afinal eram apenas 4 km á mais. Seguindo esta linha de raciocínio, não levei em conta o principal detalhe que difere muito as duas provas, ou seja, o tipo de piso, afinal correr 56 km no asfalto é uma coisa, e correr 60 km em montanhas, repletas de subidas, buracos, pedras, raízes e mata fechada, é outra completamente diferente, e porque não dizer, absurdamente pior.

Apenas com o intuito de realizar mais um sonho de completar minha segunda ultramaratona, sendo esta a primeira em montanha, ouvimos a buzina de largada por volta das 08:30 da manhã abaixo de uma garoa gelada, típica daquela região.

Devido ao clima nos dias anteriores, e da garoa antes da largada, tomei a decisão mais errônea da minha vida, ao escolher um tênis de trilha (com cravos) para fazer a prova.

Para meu azar após uns 10 minutos de prova, o sol deu o ar da graça e as estradas de terra estavam totalmente secas, e o tênis passou á ser um terrível incomodo, pois alem de segurar minha passada, o mesmo acabou literalmente “estuprando” meus pés.

Diferente dos outros atletas, corri sem apoio, e levei toda minha suplementação e um squeeze com água na mão, e cruzei o primeiro terço da prova, ou seja, o km 20 na terceira colocação geral com o tempo de 01:43:00, sentindo-se super bem independente de já ter encarado algumas subidas sofríveis, mas após isso o pior aconteceu.

Por volta do km 21, juntamente com outro atleta, me perdi trilha adentro e acabamos entrando em uma mata fechada, sem ter o que fazer, afinal, não sabíamos se estávamos no caminho certo ou não.

Após corrermos 5,5km no caminho errado, discutimos bastante e resolvemos voltar, mas neste instante o sentimento de revolta dominou meu lado psicológico, e como a prova já tinha ido para o espaço, queria somente encontrar o caminho novamente e abandonar a prova, pois não tinha mais motivação nenhuma para continuar.

Quando encontramos o caminho certo novamente, perdemos aproximadamente 01:15:00, e sem apoio nenhum, pensei bastante e lembrei de todo o esforço que fiz para chegar lá, todos os treinos exaustivos, além do fato de realizar um sonho até então impossível, pelo menos para mim.

Segui em frente, totalmente desmotivado, e já entre os últimos colocados, até o momento em que encontramos uma atleta de Porto Alegre, que ao longo de seus 49 anos seguia firme e forte pelas trilhas que neste instante recebiam um calor avassalador de 36 graus.

Ao chegar próximo ao seu carro de apoio, o atleta que estava comigo, fez toda sua suplementação e se deu ao luxo de trocar seu par de tênis para seguir em frente, e como estava todo ”destruído” resolvi continuar a prova ao lado da atleta, que virou uma grande amiga, afinal, estávamos mal, mas independente disto fomos batendo um longo papo durante á tarde toda.

Corríamos um pouco, e andávamos também, sempre admirando a paisagem e rezando para aquele sofrimento acabar logo, afinal, o sol estava nos desgastando cada vez mais.

Como tinha me perdido no caminho, corri 11 km á mais, e por volta do km 45, não suportava mais ingerir gel de carboidrato e o sentimento de náusea e diarréia foi intenso, fazendo com que eu parasse diversas vezes, para depois continuar seguindo em frente.

Acredito que nos próximos 36 km o que mais pensei foi em nunca mais encarar um absurdo desses, e continuar minha vida tranqüila em triathlons e maratonas de rua.

À todo instante falava com minha amiga, que nunca mais na vida faria uma loucura dessas, e é claro ouvia a mesma coisa como resposta.

Por volta do km 50 (61 já percorrido), alcançamos um atleta, que estava muito mal, caminhando pela trilha.

Juntamos os três, e seguimos conversando bastante, totalmente acabados, e acredito que nossas forças vinham das piadas que contávamos para tentar descontrair aquele clima deplorável que assolava nossos corpos.

Aprendi uma coisa muito bacana em ultramaratonas, que diferente do triathlon, um esporte elitizado, onde a maioria dos atletas exibem suas bikes caríssimas e nem ao mesmo olham na sua cara para lhe cumprimentar, nas ultramaratonas, todos são camaradas, principalmente após 6 horas de prova onde todos estão em estado deplorável, mas estão ali, prontos para ajudar uns aos outros, e na linha de chegada, todos esperando para lhe cumprimentar com um caloroso abraço e poder compartilhar histórias de atletas que da mesma forma que são fortes, também são como “pintos no lixo” após desafiarem todos os limites de seu corpo e cruzar a linha de chegada em estado deplorável, mas mesmo assim com um sorriso no rosto.

No final, cruzamos a linha de chegada em 08:20:00 de prova, por volta das 16:50:00 da tarde com um sol insuportável na cabeça, e como foi bacana ver toda aquela turma de atletas “dementes” nos esperando para nos cumprimentar, ajudar e dar muitas risadas conosco.

Fiquei com o pessoal apenas uns quinze minutos e voltei para a pousada, afinal, precisava urgentemente de um banheiro.

Fiquei feliz da vida por realizar um feito em minha vida que não tem preço, com uma sensação sem explicação, sensação esta que nenhuma conquista material pode igualar, onde acima de tudo pude aprender bastante com meus erros, adquirir uma experiência monstruosa e principalmente á respeitar a natureza.

À todo momento pensava em nunca mais realizar uma prova destas, mas como estou escrevendo esta resenha 20 dias depois da prova posso dizer apenas uma coisa: - Eu não vejo a hora de fazer outra, e esta já está com data marcada.

Dia 06/02/2013 vou participar da Cruce de Los Andes “Desafio de Los Volcanes”, prova de 105 km em 3 dias largando na Cordilheira dos Andes no Chile, chegando até a Argentina.

Agradeço á todos os amigos, minha família e minha treinadora Cris Carvalho.

Abraço á todos e bons treinos.

 

 

 




quinta-feira, 27 de setembro de 2012

REI DA MONTANHA 2012





 No último sábado dia 22, tive o prazer de participar de mais uma prova que vem se tornando minha maior diversão ultimamente, ou seja, as corridas de montanha.

Realizada na cidade de Mogi das Cruzes, no distrito rural de Sabaúna,     local bem conhecido por mim, afinal já disputei 2 etapas da Copa Paulista de Mountaim Bike, por aquelas matas, a prova consistia em 3km, 7km, 21km (revezamento) e 21km solo.
Participando dos 21 km (1/2 Maratona) solo, encarei a "pedreira" um pouco acima do meu peso, o que acabou dificultando um pouco as coisas, devido á várias subidas existentes no percurso de 7 km, circuito este o qual tive que dar 3 doloridas voltas.
Durante o aquecimento antes da largada, já senti um pouco o excesso de peso, mas o fato da mesma ser ás 14:00 horas com um pouco de sol, este talvez foi a maior dificuldade inicial, mas pelo que aprendo a cada prova trilheira que venho fazendo, se não for o mais difícil possível, acredito que acaba perdendo a graça. Como é bom sentir-se  preso, sozinho dentre a natureza, e saber que ela está olhando para você e pensando: - Cara, hoje eu vou fazer você sofrer! Mas que no fundo ela está feliz por estarmos lá se divertindo ao seu lado.


 Logo na largada, encaramos uma subida, para testar os nervos dos que lá estavam, e em seguida entramos no estradão de terra, onde pude imprimir um ritmo confortável, enquanto muitos forçavam bastante, e é claro, pagariam caro mais afrente.
Na primeira subida longa, comecei ultrapassar alguns atletas, e percebi que independente do excesso de peso, estava com um condicionamento legal para aquele tipo de terreno.
Por volta do quinto quilômetro, uma descida insana, fez com que as coxas ardessem bastante, por incrível que pareça, mas o que mais preocupava era a atenção constante, afinal um escorregão naquele local, fazia um estrago bem grande. Fato este ocorrido entre algum atletas menos atentos no decorrer da prova.
 Após a última subida do percurso, entramos em uma estradinha entre uma imensa área completamente infestada de árvores de eucalipto, e a falta de ar fruto da fadiga e principalmente das subidas, era regenerada com aquele ar puro e refrescante, enquanto na maioria das vezes sozinhos, respirávamos aquele ar puro e ouvíamos nossos passos solitários, chocando-se com as folhas secas que se encontravam na estradinha de terra, ou seja, SENSAÇÃO INEXPLICÁVEL, que dinheiro algum paga.
Diversão á parte, completei a primeira volta, e enquanto os atletas da prova de 7 quilômetros recebiam os louros da conquista, eu sabia que ainda tinha mais duas doloridas voltas pela frente, ou seja, sorte a minha, afinal, tinha mais duas voltas de aventura e curtição por entre aquele local mágico.

Já na segunda volta, muitos atletas que ousaraam na tática de forçar a barra no início, pagavam caro, com a falta de condicionamento e o cansaço intenso, fruto do difícil percurso da prova. Ao chegar nas subidas longas, muitos atletas caminhavam, inclinando suas colunas para frente, se esforçando bastante para chegar ao cume, e voltar ao ritmo de prova.





 Neste instante, consegui tirar proveito da situação, e ultrapassar vários atletas, abrindo certa vantagem, sobre aqueles que exibiam suas habilidades principalmente nos trechos planos.
Como de costume, usei e abusei dos copos de água para molhar o corpo, mas no meio da prova, o tempo virou e o frio chegou para dificultar um pouquinho mais as coisas, afinal, estava totalmente encharcado de água.


Ao fechar a segunda volta (14 km), sabia que tinham mais 7 quilômetros bem sofridos, mas sentia que estava bem, e minha maior preocupação era a distribuição dos atletas por entre o percurso. Por vários trechos corria sozinho e não fazia ideia de que posição estava, mas sabia que estava razoavelmente bem na prova.
As subidas na terceira volta, foram devastadoras para minhas panturrilhas e coxas, mas da mesma forma em que sentia com as dores físicas, uma certa sensação de tristeza tomava conta de mim, afinal, em alguns minutos aquela diversão viria á acabar, e a vontade de continuar me divertindo era grande.
Durante a longa descida, o cuidado foi dobrado, para evitar uma queda, afinal já estava bem desgastado, e uma falsa reação nas pernas não era uma coisa tão difícil de acontecer.



Após a última subida, joguei 2 copos de água no corpo, independente do frio que estava piorando cada vez mais, e dei um gás no ultimo quilômetro para fechar a prova bem.
Após 01:42:11 fechei minha primeira Meia Maratona em Corrida de Montanhas, feliz da vida, conquistando o 6. lugar geral, dentre 46 atletas que participaram da distância. Fiquei mais feliz ainda ao saber que atletas de elite estavam entre os cinco primeiros no pódium, que desta vez bateu na trave. Mas como posso me lamentar, se mais uma vez fui abençoado por estar em lugar tão lindo, tendo a oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto na vida.
Obrigado Deus mais uma vez por este dia, e parabéns á todos os atletas que estavam ao meu lado desfrutando daquela natureza mágica.
Vamo que vamo, que em breve tem mais.
Bons treinos á todos e FAÇAM O BEM UNS AOS OUTROS.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

CORRIDA DAS TORRES 2012

                      CORRIDA DAS TORRES 2012




Olá pessoal, no dia 04 de agosto de 2012, tive a oportunidade de voltar a me "divertir" em meu playground favorito, ou seja, as montanhas cheias de trilhas, raizes, lama, cachoeiras, e muito perrengue.
Além das subidas fortes em montanha, o sol escaldante foi o tempero adicional, no que se refere á dificuldades aos atletas participantes, afinal a largada foi realizada em um sábado ás 14:00 horas.
Dada a largada, larguei meio cauteloso, pois tinha comido um pouco além da conta, e estava preocupado com um possível desconforto estomacal, mas após uns 5 minutos de prova, fui me sentindo cada vez melhor, e assim imprimindo um ritmo bacana por entre as estradas de terra, enquanto entravamos mato adentro.
No terceiro quilômetro as primeiras subidas começaram a aparecer, desacelerando os menos preparados para aquele tipo de dificuldade e quando chegamos no quilometro 5, as subidas fortes vieram, impossibilitando darmos continuidade á corrida, tendo que caminhar morro acima, enquanto nossas colunas estalavam de dor, e o que dizer então das panturrilhas, que ardiam que nem pimenta forte...rs
O sol forte castigava os que lá estavam, e as intermináveis subidas eram as culpadas pelas assustadoras respirações ofegantes de todos. Mas como tudo tem um lado bom, após as subidas, vinham as descidas e podíamos nos divertir bastante desviando de galhos, raízes, pulando riachos....ou seja, a mais pura diversão.
Após o trecho técnico, vinha o estradão novamente, e ao contrário do ano passado, os cachorros não vieram atrás para morder nossas canelas, mas os latidos estridentes não faltaram.
Os últimos 3 quilômetros de prova foram no estradão de terra, e independente do sol forte, consegui manter um ritmo bom, e ultrapassar alguns atletas, para no final fechar os 12 quilômetros em 01:05:41, conquistando a primeira colocação em minha categoria, dentre os 27 atletas da mesma, e a décima colocação geral entre 169 atletas.
Agradeço á Deus, mais uma vez pela saúde que recebo á cada dia e principalmente por mais esta diversão, que sem dúvida, não tem preço.
Peço á todos que ao menos possam  se divertir mais e deixar de ficar se lamentando da vida, ou assim como dizia Raul Seixas:
EU QUE NÃO ME SENTO NO TRONO DE UM APARTAMENTO, COM A BOCA ESCANCARADA CHEIA DE DENTES ESPERANDO A MORTE CHEGAR.
Bons treinos á todos e FAÇAM O BEM UNS AOS OUTROS.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

 FOTOS VIAGEM - LE ETAPE DU TOUR DE FRANCE 2012

TORRE EIFEL


RIO SENA

ROLAND GARROS



MUSEU LOUVRE

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

LE ETAPE DU TOUR 2012

LE ETAPE DU TOUR - 2012
PAU > BAGNERES-DE-LUCHON
Sonhos á parte, no último dia 14 de Julho encarei mais um desafio em minha vida, mas independente da dificuldade absurda, pude desfrutar de uma emoção que sem duvida alguma, não tem preço. Da mesma forma que todo jogador de futebol sonha em jogar uma final de copa do mundo, ou um atleta de basquete sonha em jogar na NBA, todo ciclista com certeza sonha em pedalar na maior competição do mundo na modalidade, ou seja, o TOUR DE FRANCE.
Ainda em recuperação após o Iron Man, decidi encarar o desafio, com o único objetivo de completar a prova e curtir ao máximo, e independente das dificuldades, foi o que realmente aconteceu.
     Como a prova seria no sábado, cheguei na quarta-feira na cidade de Pau, interior da França e na quinta e sexta consegui girar um pouco com a bike e me aclimatar com o local, lindo por sinal, afinal, não é todo dia que se pode fazer um treino leve, pedalando por cidadezinhas antigas com casas e igrejas de pedra, sem falar é claro nas longas plantações de girassol, que não cansamos de ver e admirar todos os anos nas transmissões do Tour.
As histórias foram muitas, como o treino na sexta em que nossa equipe foi guiada por um ciclista de um clube local, sendo que após ele nos mostrar e por que não dizer “amedrontar” ao apontar para o temível  Tourmalet, nos levou até a sede do seu clube...uma pequena garagem, sendo que após abrir a porta da mesma, simplesmente ficamos maravilhados ao ver tantos troféus e medalhas de todos os atletas da equipe, e para coroar a visita, canecas de chopp foram servidas á nós. Alguns atletas recusaram, afinal no dia seguinte seria o grande desafio, mas no meu caso, eu sabia que estava vivendo um momento mágico e não podia deixar de desfrutar de cada detalhe.
Já no dia seguinte, acordamos ás 4:00 da manhã, e fomos até o local da largada para o início do grande desafio.
A largada era feita em baterias de 1000 atletas a cada 5 minutos, e para meu azar fui o numero 9441, ou seja, a última bateria.
Quando finalmente largamos, o pessoal saiu forçando bem, e como eram centenas de atletas, vários pelotões se formavam, então era só escolher um e fazer a festa.
Após uns 37 quilômetros entre estradas e cidades aconchegantes, chegamos ao primeiro dos 4 desafios, o Col d´ Aubisque.
A montanha era imensa, afinal eram 1709m de altura, mas a preocupação virou emoção ao ver centenas de atletas zigue-zagueando a enorme subida, como se fossem soldadinhos subindo morro acima. Neste momento uma sensação, das melhores possíveis tomou conta de mim, e tratei de curtir cada metro, e poder sentir cada segundo daquele local mágico.
Ao chegar no topo, o frio era quase insuportável e a neblina atrapalhava meus planos de descer a lenha na descida, afinal a má visibilidade e a pista molhada me amedrontou bastante.
Pedalados uns 90 quilômetros, avistei talvez a placa de trânsito mais assustadora e ao mesmo tempo, emocionante da minha vida. A placa que dizia “ Col Du Tourmalet” . Neste instante, eu sabia que literalmente estava ferrado, pois tinha que encarar 2115 metros morro acima, mas enquanto subia, ia olhando para os lados e via que todos também sofriam assim como eu.
Quase 2 horas foram necessárias para encarar a montanha, e a cada metro pedalado sentia dor e ao mesmo tempo emoção ao admirar a paisagem exuberante e as incontáveis curvas em zigue-zague do Tourmalet, mas o maior desafio estava por vir, afinal lá em cima os termômetros marcavam 5 graus.
O frio era medonho, e nem mesmo 2 camisas, 1 manguito, 1 corta vento, além de luvas e um gorro embaixo do capacete, foram necessários para conter a friaca. Novamente, a pista estava molhada, e o medo era grande, assim sendo desci muito fraco, e no meio do caminho não sentia mais as mãos de tanto frio, mas para minha sorte 2 senhores que estavam próximos quando parei a bike, viram meu perrengue e começaram a esfregar minhas mãos para amenizar o problema. Um momento único, sem dúvida, agradecerei eternamente aqueles 2 senhores franceses, fãs do ciclismo que lá estavam para minha sorte.
Continuei minha descida, e no staff seguinte, peguei um isolante térmico e enrolei no corpo, por baixo da camisa, enquanto muitos atletas tremiam, deitados no chão enrolados em cobertas fornecidas pela organização.
Seguindo em frente, passamos por uma cidade linda em Sainte-Marie-de Campan, e em seguida chegou o Col d´Aspin com seus 1489m de altura.
Com o frio controlado, independente do cansaço, consegui subir legal para em seguida encarar 14 quilômetros de descida, desta vez com pista seca, ou seja, finalmente pude sentar a bota e sentir meu sangue pulsar em minhas veias, mas a alegria durou pouco, pois no quilômetro 165 chegou a última montanha, ou seja, o Col de Peyresourde, com “apenas” 20 quilômetros de subida somando 1559 metros de ascenção. Como já estava cansado, esta última montanha foi thrash, e parecia não acabar nunca, mas como não outras, olhava para os lados e via que todos estavam ferrados assim como eu.
Ao chegar no topo, teríamos mais 16 quilômetros de descida até o final da prova, então era hora de descer o sarrafo e curtir os últimos quilômetros daquele sonho. Faltando 4 quilômetros para o final entramos na cidade de Luchon e assim como no percurso todo, o local estava completamente abarrotado de torcedores, e faltando 1 quilômetro para o final, senti algo até então inédito em minhas corridas. Independente de estar tendo a oportunidade de correr e conhecer o quarto continente em minha vida, desta vez a Europa, nunca me emocionei á chegar ao ponto de chorar, mas neste instante meus olhos ameaçaram encher de lágrimas, até o momento em que 3 atletas passaram ao meu lado sprintando feito uns animais e olhando para mim, me chamando para o racha.
Imediatamente, ás lágrimas sumiram, e fiquei de pé na bike e comecei a sprintar também, até cruzar o pórtico de chegada.
Ao parar a bike, 2 daqueles atletas que nunca vi na vida, talvez Alemães me viram chegando e vieram em minha direção me cumprimentar e me abraçar, como se fossemos velhos amigos. Com certeza, ao me chamar para o sprint final, eles devem ter pensado: o que este cara está fazendo parado, perdendo o melhor da festa que é a explosão final? Mais um momento mágico, que não tem preço.


 CONTINUA.....



sábado, 9 de junho de 2012

IRON MAN BRASIL 2012


IRON MAN BRASIL 2012




Olá pessoal,
No dia 27 de Maio último, realizei mais uma conquista, e por que não dizer, grande sonho em minha vida.
Após fazer um triathlon olímpico e um 70.3, resolvi encarar meu primeiro Iron Man, em meu terceiro ano de triathlon. A batalha foi árdua, afinal, para quem trabalha das 7:30 ás 18:30 todos os dias, arrumar um tempo para treinar se torna algo muito valioso.
Desde o mês de Fevereiro venho treinando, na medida do possível, visando cruzar o tão sonhado pórtico de chegada. Neste período, abdiquei de muitas coisas, visando me preparar da melhor maneira possível para encarar os 3800 metros de Natação, 180 km de Ciclismo e 42,2 km de Corrida que me separavam daquela cobiçada medalha.
Ao chegar em Florianópolis no dia 25, com muita chuva, assisti ao simpósio para conhecer os macetes da prova, afinal, como marinheiro de primeira viagem, toda dica era bem vinda.
No dia seguinte, resolvi passear por algumas praias próximas á Jurerê Internacional, para arejar um pouco a cabeça, mas ao sair na rua, dezenas de ciclistas testando suas bikes faziam com que minha apreensão e por que não dizer tensão, crescesse ainda mais.Já na parte da tarde, levei minha magrela ao check in e um som estranho no pé de vela, venho a me preocupar ainda mais, mas como não dava tempo pra mais nada, deixei a bike lá e seja o que Deus quisesse no dia seguinte, e para minha sorte ele quis muito para mim.Chegando o grande dia, acordei ás 4:00 da manhã e após o café, fomos até o local da transição, eu minha mãe e meu cunhado, que me ajudou bastante.Já no local, revisei meus equipamentos, e fui aguardando o tempo passar até a hora da largada.A tensão nos instantes que antecediam a largada existia, mas era menor do que eu esperava, afinal, eu tinha 17 horas para completar a prova.
Uns 20 minutos antes da largada, caí na água para um aquecimento, e posso dizer que a temperatura estava ótima.
Após isso, me aglomerei junto á 2200 atletas e exatamente ás 7:00 da manhã, uma sirene de navio deu inicio a grande batalha. Talvez a adrenalina do momento nem me fez pensar em nada, muito menos me emocionar, afinal eu sabia que minha prova começaria pra valer após a natação, pois meu rendimento na água sempre foi muito ruim.
Durante a natação, recebi socos, pontapés, um calcanhar em cheio na cara, capaz de tirar meu óculos, mas nada que me preocupasse.
Fechei a primeira "perna" da natação tranquilo, e na segunda, o pessoal já estava bem espalhado, assim sendo, o contato foi menor, salvo nas boias, onde a pancadaria continuava.
Um pouco cansado, saí do mar e quando olhei em meu relógio, não acreditei ao constatar que havia fechado a natação em 01:06:00, afinal, esperava fechar a mesma em 01:20:00 para cima. Tentei achar minha mãe no meio da multidão mas não consegui, só depois da prova fiquei sabendo que ela chorava ao me ver saindo do mar. Ainda caminhando rumo a primeira transição, ainda não acreditando no tempo da natação, até porque além de nadar mal como dito anteriormente, treinei apenas duas vezes por semana esta modalidade e ainda por cima em uma piscina de 18 metros, e talvez por isso dei uma olhadinha para o céu e disse para "ele": - Hoje é o meu dia!
Após uma transição lenta, saí com a bike e fui pedalando conforme os treinos, me hidratando e alimentando bem, mantendo uma média de 34.5 km/h, média esta que venho á baixar no momento em que começaram as subidas.
Por volta do km 120, as pernas já começaram a pedir água, mas consegui manter o mesmo ritmo, sendo que este venho á quebrar um pouco nas subidas.
Devido ao excesso de gatorade nos staffs, no km 135 estava morrendo de vontade de mijar, e minha bexiga parecia querer explodir, mas independente do perrengue, achei melhor continuar até o final da bike.
Já por volta do km 165 minhas pernas estava moídas, e cada quilometro parecia não passar nunca, o que chegava a preocupar um pouco, afinal eu não aquentava mais ficar em cima da bike.
No final, fechei a bike em 05:28:30, com uma média de 33km/h, tudo conforme os intermináveis longões de sábado.
Na transição da bike, quando desci da mesma, minhas pernas literalmente travaram de caibras. Lentamente estiquei as mesmas e fui caminhando vagarosamente para amenizar o prejuízo. Após uma transição tranquila, fui á um banheiro químico e acredito que fiquei uns 2 minutos urinando, e após isso senti uma sensação de alivio maravilhosa.
Mesmo quebrado, saí para correr tranquilo, pois sabia que chegara a hora de minha maior diversão, mas, com certeza, esta confiança me prejudicou bastante.
Corri os primeiros 5 quilômetros, fazendo 04:30 min/km e já no sexto quilometro as dores vieram de todos os lados.
Já estava bem desidratado, e não conseguia beber e muito menos comer nada, mas durante a corrida, foram 2 gels e pouquíssimos goles de água.

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Por volta do km 10 estava acabado, e continuei a prova praticamente trotando, afinal, não aguentava correr como de costume.
Ao chegar na famosa subida da igrejinha em canasvieiras não aguentei e quebrei, caminhando a subida toda, mas não me preocupei tanto, afinal todo mundo estava caminhando também.
Após a subida, continuei trotando, enquanto via muitos atletas em estado bastante ruim, caminhando pelo percurso.
Em certos instantes, ficava preocupado pelo ritmo lente, afinal, quando saí para correr, pus na cabeça em fechar a prova antes de 11 horas, o que seria um sonho para mim, mas em certo ponto da prova, pensei em simplesmente acabar, afinal, não estou lá para ganhar de ninguém, pois já tenho minha profissão e não dependo daquilo para nada, apenas para me divertir.
Sem me alimentar, as dores aumentavam cada vez mais, mas a cabeça dura de não desistir, me ajudava a seguir a batalha, lentamente mas sempre correndo.
por volta do km 25 meu cunhado Leandro apareceu, e mais a frente minha Mãe também, e o apoio moral que recebi, fez com que seguisse em frente.
No quilometro 38 percebi que conseguiria fechar a prova antes da 11 horas, mas a vontade de parar e caminhar era ainda maior, e por incrível que pareça, minha mãe apareceu novamente e começou a gritar: 
- Não pare de correr, você consegue acabar isso.
Não sei se encarei isso como um incentivo, ou como um sermão, então resolvi continuar para não levar uma dura depois.
No km 39 sabia que tinha uma gordurinha para queimar, e que mesmo assim fecharia a prova sub 11, e no momento em que ia andar um pouco, meu cunhado chegou ao meu lado de bike, e me incentivou incansavelmente para não parar. Não sei se gostei ou se achei ruim, afinal, meus planos de um descansinho rápido foram pelos ares.
No restante da prova, ele foi ao meu lado meu dando uma grande força e assim fomos até o fim.
Ao chegar ao pórtico, o mesmo indicava 10:46:58, e ao olhar aquele cronometro achava que ia chorar ou me emocionar, mas as dores e a fome não fizeram com que eu nem sequer comemorasse á altura.
Aquela sensação de dever cumprido, foi dividida com as dores e a fome, sendo que um médico da prova me enrolou em uma toalha e me levou para tomar soro na veia, mas eu disse á ele que queria comer pois não aguentava mais de tanta fome.
Após uma refeição caprichada: 02 sorvetes, 02 pedaços de pizza, 02 barras de cereal, 01 pedaço de bolo e 01 copo de coca cola, comecei a sentir um frio insuportável, mas fui salvo por uma enfermeira, que ao me ver se debatendo e tremendo os dentes, me enrolou em um cobertor.
Independente do perrengue, adorei completar a prova, principalmente por chegar na posição de 298, entre 2200 atletas.
Agradeço primeiramente á Deus, por tanta saúde, que venho recebendo á cada dia, e principalmente á Minha Mãe pelo apoio desde o dia em que nasci, minha noiva Daiane por estar ao meu lado sempre, meu irmão que independente de estar longe, setá horando por mim sempre, meu outro irmão e cunhado Leandro que me apoiou o tempo todo, meu treinador Felipe Guedes, meus parceiros de treino de bike Zé Luiz e Mário, a galera da natação de Itanhaém e a todas as outras pessoas que não lembro no momento também.
Agora, chega de triathlon, afinal não aguento mais os treinos tão repetitivos. Vou focar ás corridas em trilha e ao Mountaim Bike, minhas grandes paixões e á desafios ainda maiores, afinal se este foi possível, outros maiores também são.
Dizem que todas as alegrias em um Iron Man, se transformam em lágrimas nos Pirineus, será mesmo verdade??????
Abraço á todos os guerreiros que completaram o Iron Man Brasil, e á todos os atletas que á cada dia que passa se beneficia em todos os sentidos desta coisa tão maravilhosa que é o esporte.
Bons Treinos.
 

domingo, 15 de abril de 2012

MARATONA DE SANTIAGO - CHILE 2012




Olá Pessoal. Após algum tempo longe das provas, visando os treinamentos rumo ao meu primeiro Iron Man Brasil daqui á 45 dias em Florianópolis, encarei uma Maratona, não só para curtir o local, como todos sabem que estou acostumado fazer em minhas viagens, mas também como um treinão, afinal também terei de encarar 42 km no meu próximo desafio.
Desta vez, acompanhei meu cunhado, Leandro, que estava estreando na distância.
Após 3 conexões, chegamos em Santiago na madrugada de Sábado, bem acabados, e no saguão internacional do aeroporto local, vimos uma multidão gritando bastante, em certo momento cheguei até a pensar em assalto, arrastão, ou sei lá o que....mas rapidamente voltei á realidade e me dei conta que não estavamos mais no Brasil. O motivo de todo aquele alvorosso, era a banda Foo Fighters que estava chegando no País também para se apresentarem no evento Lollapallosa (será que é assim que se escreve esta jossa???). Como não sou fã da banda, e muito menos do Nirvana, nem dei muita atenção ao vocalista, mas não perdi a oportunidade de tirar uma foto com o baterista da banda, relembrando assim os velhos tempos de baterista dos Tommyknockers.

Chegamos no hotel por volta das 3 horas da madrugada, e após conversarmos um pouco fomos dormir. Na manhã seguinte já acordei ás 6 horas, enquanto minha noiva Daiane e meu cunhado Leandro, desfrutavam da 37. dimensão de seus sonhos. Para não perder tempo já saí na rua para dar umas voltas e encontrei uma vendinha, o qual entrei para comprar algumas frutas e pães para o café da manhã.

Como o Leandro já tinha pego o kit no dia anterior, afinal, ele viajou um dia antes, fomos até a bonita e organizada feira do evento novamente só para conhecer e bater algumas fotos, e após um belo almoço no mercado central de santiago em frente a Praça de Las Armas, seguimos rumo ao meu principal objetivo naquele país.


Estava muito afim de correr aquela Maratona, mas é evidente que eu queria explorar os cânions da maravilhosa Cordilheira dos Andes.
Durante o trajeto em uma van, saímos de Santiago que está á 530m acima do nível do mar, e subimos para 2900m até Vale Nevado, local que serve de abrigo á milhares de turistas que procurar a prática do Ski e Snowboarding.
Só o caminho até lá já vale a pena, pois a estrada é sinuosa, com intermináveis curvas fechadas e extremamente perigosas, fato este que rendeu um episódio no programa estradas mortais da National Geographic, sendo esta a 9. estrada mais perigosa do mundo.


Para se ter noção, tinha até um amigo que fizemos lá no Chile, que é Comandante de Avião e Helicóptero, e disse que nunca tinha passado tanto medo em sua vida.

Chegando ao topo, o silêncio daquele lugar inóspito nos fazia pensar em como o povo inca viveu por lá a séculos atrás.

Ao respirar aquele ar seco, agradeci á Deus por mais esta oportunidade, enquanto observava o voô dos Condores, aves que lá vivem e estão no topo da cadeia alimentar do local.

No dia seguinte, voltei a realidade e de madrugada fomos até a largada para encarar minha 7. maratona.
O tempo estava perfeito, e o percurso não era tão desafiador, com algumas subidas fortes, mas com descidas também.
Larguei bem, e segui em frente com o intuito de fazer a prova toda com um pace de 5min/km, para fechar em algo em torno de 03:30:00.
Conforme desejava, consegui manter o ritmo pretendido, mas no km 20 o calor começava a aumentar e o ar ficava cada vez mais seco, mas independente disto, continuei mantendo o ritmo até o km 32, onde as dores nas coxas, joelhos, panturrilhas, etc, apareceram como sempre em uma maratona.
Independente do perrengue, que se iniciava, consegui apertar um pouquinho mais e mantive um ritmo progressivo a partir daí, o que me levou a fechar a prova em 03:27:10.
Fiquei super satisfeito com o resultado, afinal foi um treino e tanto, o que me motiva mais para o Iron, é claro que lá terei que nadar e pedalar muito, mas deixa o que vai acontecer para que aconteça no dia 27/Maio.
No dia seguinte, conhecemos as cidades de Viña Del Mar, e Valparaíso, dois lugares extremos, onde a pobresa de Vina Del Mar faz divisa com a riqueza de Val Paraíso, mas estas diferenças perdem suas forças quando a mãe natureza resolve acordar, e nos amedrontar, afinal, as duas cidades são vítimas constantes dos terremotos e tsunamis que assombram o País eternamente.
Em Valparaíso, fomos até uma praia, e pude entrar no mar e ter o privilégio de molhar meus pés no oceando pacífico. Lá pude constatar o que todos dizem, a água é muito gelada e com cheiro muito forte, fruto das inúmeras colônias de algas e corais que lá vivem.
Continuo vivendo minha vida dia após dia, curtindo e explorando muito, conhecendo lugares maravilhosos ao lado da Daiane, fazendo boas amizades, e dando boas risadas.
Parabenizo o Leandro pela sua primeira Maratona. Valeu brother, espero estar ao seu lado na sua centésima, e espero que tenha curtido este novo desafio.
Quero agradecer á Daiane pelo arroz que fez após a maratona, estava tão faminto que aqueles dois pratos fundos que comi, mais pareciam o everest do que o topo da cordilheira dos andes.
Um abraço para todos os brasileiros que conhecemos na corrida, além do casal do Rio de janeiro em Valparaíso, do Chileno dono da Apart, torcedor doente da Universidade do Chile, e todos que não lembro agora...além é claro do garçom chileno do restaurante, que ao falar que era corintiano, ele simplesmente disse que ninguem era perfeito.
Valeu pessoal.
FAÇAM O BEM UNS AOS OUTROS.

sexta-feira, 23 de março de 2012

SAUDADES DA ESTRADA




Olá pessoal, como estou somente treinando para o Iron Man Brasil, sem participar de provas, não postei mais no blog como de costume.


Após sofrer um pequeno acidente em um treino esta semana, ao cair da bike depois de bater em um obstáculo na pista á 40 km/h e me ralar bastante, fiquei desanimado ao tentar nadar e perceber que está impossível, devido ás dores musculares, fruto da queda.


A dura rotina de treinos, visando o Iron Man, por si só já vem desgastando bastante, talvez a parte emocional ainda mais que a parte física, afinal, são poucas horas de sono, várias madrugadas acordando para ir treinar, e finais de semana quase sem proveito na vida social.


Em plena semana de treinos completamente específicos, a chateação bateu pesado em minha porta, principalmente ao olhar para o espelho e ver as olheiras e os hematomas no corpo, frutos do acidente citado anteriormente.


Nos últimos dois dias, ao dormir, acredito que a pergunta que mais martelava em minha cabeça era: Será que tudo isso vale a pena ?


Pois é, ás vezes penso um pouco á respeito, ai começo á relembrar o passado e logo a resposta aparece.


Á cinco anos atrás, não me imaginava correndo 10 quilômetros sem parar, talvez achasse aquilo uma jornada completamente fora dos limites da realidade....pelo menos para mim.


Aí comecei a correr aos poucos, depois comprei minha mountaim bike, a “bigorna”, ou simplesmente “biga” para os mais íntimos, e descobri que essa imensidão do nosso mundo esta sempre á espera para que possamos explorá-lo a cada dia.


A partir daí, fui fazendo trilhas, passeios, treinando e curtindo cada vez mais e quando penso em parar, olho lá atrás e vejo que aquele investimento valeu a pena, afinal aquele gordinho á cinco anos atrás não imaginava que hoje ele já teria completado 6 maratonas (conquistando o índice para a Maratona de Boston em uma delas), sendo uma Ultramaratona, conquistado 58 troféus e incontáveis medalhas, além de conhecer a Argentina, África do Sul, Nova Zelândia, além de 7 estados do nosso país e realizado os maiores sonhos de meu espírito aventureiro, como pular de pára-quedas, saltar de bungee jump, fazer rapel em cavernas, mergulhar com o tubarão branco, entre outros.


O que seria de nós se não sonhássemos?


Apesar de ter vivido tantas viagens, e principalmente ter convivido com tantas culturas diferentes, tenho sonhado tanto, pois a cada dia sei que inimaginável está logo ali adiante, esperando que batalhemos para chegarmos lá e principalmente adquirirmos uma nova conquista.


Tenho me esforçado bastante para me tornar um Iron Man, mas sei que daqui á 2 meses quando isto acontecer, vou me sentir ainda mais motivado e disposto a conquistar um desafio ainda maior, afinal procuro evitar o conformismo, pois desejo explorar cada vez mais, até porque a vida é muito curta para vivermos de qualquer outra maneira.


De todas essas realizações, tenho uma lista imensa e ela cresce á cada dia, então sei que não posso perder tempo e aproveitar essa vida maravilhosa que Deus me deu á cada segundo.


Vamos que vamos para o Iron Man, mas sem se acomodar, pois em Julho o desafio promete ser ainda maior, sempre sonhando em alcançar cada vez mais o inalcançável.


Semana que vem, dia 01/04/2012 mais uma Maratona para a lista....um treinão de luxo e tanto.



Obs: O cume do Aconcágua não sai da minha cabeça á anos.




Bons Treinos á todos e vamos curtir á beça.




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

COPA SÃO PAULO DE MOUNTAIM BIKE 2012



No domingo dia 05/02 resolvi mudar um pouco a rotina de treinamentos, deixando de lado o Triathlon Internacional de Santos, para fazer algo que realmente me traz diversão.
Completamente saturado dos treinos para o Iron Man 2012, ou melhor dizendo, os que estou conseguindo fazer, pois meus dois empregos estão tirando tudo de min, resolvi mudar de ares, afinal, não suportava mais a mesmise de sempre, piscina, bike na estrada e corrida na rua. Todos os dias pensava comigo mesmo: Eu gosto disso, mas cadê a diversão????
Seguindo este princípio, resolvi partcipar da Copa São Paulo de Mountaim Bike em São Sebastião para relembrar os velhos tempos de bike, no qual me ralava, me sujava, me machucava, mas principalmente me divertia e sentia a adrenalina ferver meu sangue, rasgando minhas veias a cada novo instante de prova.


Como não conhecia o percurso, fui surpreendido ao encontrar um amigo do Guarujá antes da largada, sendo que este disse que estavámos prestes a encarar um dos circuitos mais casca grossa do Brasil.
Saindo de São Sebastião, iríamos até Salesopólis no interior, num circuito de 52 km, com "apenas" 22 km de subida de serra no começo só para "quebrar" os que lá estavam.
Não sei se as intermináveis subidas eram mais foda do que o calor que fazia, afinal, os termômetros da cidade indicavam 37 graus ás 11:00 da manhã.
Por volta do km 10, já estava sofrendo bastante, mas algumas descidas pequenas compensavam o sofrimento, que continuava logo em seguida. Algumas subidas chegavam á ser tão ingremes que quase todos os atletas empurravam suas bikes, tamanha a dificuldade do local.




Após uma eternidade de subidas, as plaquinhas ao lado da pista indicavam a "caveirinha", ou seja, dowhill pela frente. Com medo de me machucar para o Iron, além é claro da falta de técnica, desci as montanhas vagarosamente, mas quando tinha a oportunidade descia a lenha também.

Ao final, fechei o percurso hiper mal, com o tempo de 03:20:10...pegando a nona colocação, dentre 21 atletas na categoria Pró Master A.
Independente das inúmeras dores pelo corpo, fiquei super feliz por conquistar um nono lugar em meio á 21 "cavalos" do mountaim bike, mas o mais importante é que sei que fiz a escolha certa, afinal, ao invés de participar de uma prova de triathlon, o qual um monte de gente que ao invés de se unir em prol do esporte, fica desfilando suas bikes super caras e suas roupas multicoloridas se achando o máximo, participei de uma prova com um monte de atleta que está lá se ralando no circuito em mata fechada, se autodestruindo, mas acima de tudo sempre com a camaradagem de sempre e principalmente, se divertindo a cada novo obstáculo durante a prova.



Valeu caras..que venha a próxima "guerra".
E que venha o "IRON" também.







domingo, 15 de janeiro de 2012

CORRIDA INTERNACIONAL DE SÃO SILVESTRE 2011 - "O IMPOSTOR"



Olá pessoal, no último dia do ano que se passou, resolvi participar de minha última corrida do ano de forma diferente. Desta vez ao invés de correr fui até a Av. Paulista para prestigiar e tirar umas fotos da São Silvestre.
Como meu cunhado Carlos Leandro ia participar da prova, resolvi subir com ele para São Paulo, e resolvi acatar a sugestão dele que era a de levar um shorts e um par de tênis para lá.
Com a dedicação ao Iron Man 2012, no dia anterior tinha corrido 15 km em trilha e nadado 2 km, e já no sábado dia da prova pedalei cedo por 01 hora no rolo, afinal a chuva era intensa na baixada santista, mas ao chegar na Av. Paulista e ver aquela multidão aumentando á cada minuto, a vontade foi maior que o cansaço e mesmo sem inscrição resolvi fazer a prova á lá impostor.
Ficamos aguardando a largada por 2 horas e milagrosamente em trinta segundos antes da mesma a chuva começou para alegria de todos que lá estavam acredito eu.
Após a largada, tentei acompanhar meu cunhado e seguimos em frente, desbravando o novo percurso da prova, sendo que no segundo quilômetro a chuva se intensificou, e a sensação foi indescritível. O prazer de estar participando de uma prova super tradicional, com aquela chuva que conforme ia se intensificando, ia ficando cada vez melhor, além da felicidade não só pessoal, mas coletiva, afinal, para todos os lados que olhava, podíamos perceber que estávamos ao lado de 25.000 “crianças” se divertindo com aquela chuva toda.
Chegando na tal da brigadeiro, subimos de boa e depois descemos a mesma, parte do novo percurso e acabamos fechando a prova em 01:30:00. No final estava sem numero e como a retirada de medalha era feita com o mesmo, peguei o chip do meu cunhado e resolvi seguir os passos do “impostor”. Na primeira fila de retirada de medalha não consegui, mas na segunda fila, comecei a dizer que uma criança puxou meu numero na brigadeiro e conversa vai, conversa vem ela acabou cedendo.
Pronto, ganhei minha medalha sem pagar a inscrição. Sem que isto é errado, mas tenho certeza que isto não fará falta a yescon, que explora nós atletas cada vez mais.
Agradeço ao meu cunhado Carlos Leandro, por mais este dia inesquecível, além de minha família por mais um ano de apoio em todos os meus projetos, e principalmente á Deus por mais um ano de Saúde a sabedoria para seguir em frente.
Em 2012, vamos para o Iron Man Brasil ver o que vai dar. Não estou treinando como deveria, afinal tenho prioridades muito maiores em minha vida até porque não sou profissional, e deixo os treinos mirabolantes, dietas malucas, interminaveis discussões no facebook para eles, afinal eles precisam, pois eles vivem disso.... sou profissional em minha profissão e é nela que tenho que focar além do inicio da realização de um sonho de criança, o maior de todo eles, que é o começo da “BR2 PROJETOS”. Após muito planejamento, estudos e trabalho, estamos começando, sonhando muito alto, pois um pequeno tijolinho hoje, pode se tornar um grande edificio amanhã, o mais importante é que o pontapé inicial foi dado, e agora é só trabalho.
Voltando ao Iron Man, vamos dedicar na maneira do possível, pois como disse agora tenho dois empregos e o tempo agora é mínimo, mas vamos lá afinal tenho 17 horas para cruzar a linha de chegada, e nem que seja se arrastando vou tentar cruzar a mesma. Em Abril vou fazer a Maratona de Santiago no Chile e após o Iron, vamos ver quais serão as outras provas, talvez o Iron Man 70.3 em Penha, e vamos ver o que mais.
Estes dias estava dormindo e sonhei conversando com minha bikezinha de estrada, neste sonho maluco ela até falava, e sabe o que ela disse: - Cara, estou morrendo de vontade de escalar os Pirineus em 2012.
Bike maluca esta, mais ela sabe que o seu dono é mais maluco ainda.
Abraço á todos.
FELIZ 2012.